1.2.08

No palco em Fevereiro

O ano avança e começam os festejos habituais. Com um Carnaval a chegar inusitadamente cedo, o mês de Fevereiro traz um recheio para todos os gostos e o primeiro festival do ano. Afinal, só daqui a quatro anos voltamos a viver 29 dias em Fevereiro: peguem nas vossas agendas e aproveitem estes...

DATA: 2ª-feira, 4
LOCAL: Aula Magna, Lisboa
EM PALCO: The Charlatans
Para começar o período de abstinência quaresmal, saciamos finalmente o apetite com mais uma estreia em solo nacional! De Birmingham viajam os The Charlatans, a banda de Tim Burgess, com novo álbum na bagagem.
You Cross My Path, a editar no início de Março, é já o décimo álbum de estúdio desta que é uma das bandas mais importantes do pop-rock alternativo das últimas duas décadas. Seguindo uma filosofia que começa a dar que falar, You Cross My Path será disponibilizado para download gratuito no site da rádio britânica XFM já em Março, chegando dois meses depois em formato físico às lojas.
Oportunidade única para os fãs portugueses ouvirem em primeira mão os novos temas, num concerto único onde não faltarão também os hinos de quase quinze anos de carreira.


DATA: Sábado, 16
LOCAL: Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
EM PALCO: Magic Arm + Ola Podrida
Passado a ternura (ou o tormento) do dia dos namorados, o TAGV propõe uma noite especial, com mais duas estreias absolutas em Portugal. Sob a designação Indie Folk TAGV, dois projectos unidos pela independência e pela liberdade criativa da sua música sobem a palco, sob o signo da música pop, seja em vertente folk, seja de cariz electrónico.
O primeiro em palco vem de Manchester e assina as suas composições sob o pseudónimo Magic Arm. No passado ano chamou a atenção de muita gente com um EP intitulado Outdoor Games, um pequeno catálogo de construções pop electrónicas carregadas da herança sonora de Manchester. Entre máquinas de escrever, relógios e outros artifícios menos usuais, surgem teclados e soa a voz de Marc Rigelsford. Na altura em que se encontra a preparar novo álbum, faz uma pausa de estúdio e vem até Coimbra para encantar as almas indie.
Do outro lado do Atlântico vem um contador de histórias. Com todo o imaginário da texana cidade de Austin para revelar, David Wingo apresenta as personagens que circulam pelo registo de estreia, Ola Podrida, pela primeira vez em Portugal. Frequentemente comparado aos contemporâneos ícones do folk norte-americano Sufjan Stevens e Iron & Wine, David Wingo e o seu projecto Ola Podrida actualizam a tradição folk norte-americana, conferindo-lhe um tom acústico e despojado. Um verdadeiro storyteller a ocupar o seu lugar numa noite especial, acompanhado apenas do baterista Matthew Frank, numa versão reduzida dos Ola Podrida.
Porque no palco não existem fugas, subsiste a autenticidade. No palco existe o erro. Indie Songs don't lie...


DATA: Sábado, 16
LOCAL: Casa da Música, Porto
EM PALCO: Múm
Nem só de estreias se faz Fevereiro, alguns regressos também são bastante ansiados! Depois de uma passagem em 2003 pelo Festival Sudoeste, a banda islandesa Múm volta a solo luso para nova actuação. Regressados em 2007 com o quarto registo Go Go Smear The Poison Ivy e com Gunnar Örn Tynes e Örvar Þóreyjarson Smárason na formação central, os Múm continuam a mostrar a sua electrónica de tons delicados, usando os mais variados instrumentos. Já sem as gémeas Gyða e Kristín, mas com uma série de excelentes colaboradores nas novas produções, os Múm abrem a noite na Sala 2 da Casa da Música.
No mesmo espaço, logo a seguir, rock'n'roll destilado pelos norte-americanos Pere Ubu, numa noite de Clubbing a contar também com música por mais cantos, recantos, salas e corredores do edifício da Rotunda da Boavista. Uma noite para pôr a Casa da Música a dançar...


DATA: 3ª-feira, 19 & 4ª-feira, 20
LOCAL: Theatro Circo, Braga & Santiago Alquimista, Lisboa
EM PALCO: The Raveonettes
Ela tem ascendência dinamarquesa e chinesa. Ele tem nome de compositor clássico e prefere os Smiths a Morrissey a solo. Ela chama-se Sharin Foo; ele dá pelo nome de Sune Rose Wagner. Os dois formaram em 2001 os The Raveonettes e, quase sete anos depois, visitam pela primeira vez a ponta ocidental da Europa (depois de uma desmarcada actuação em 2006).
Os temas repletos de coros extremamente harmónicos e as letras corrosivas e ligeiramente ameaçadoras e obscuras fizeram dos The Raveonettes um caso de sucesso, desde o primeiro álbum Whip It On passando por Chain Gang Of Love e Pretty In Black. No final de 2007 lançaram novo disco, com o curioso título Lust, Lust, Lust (atenção à versão em vinil, acompanhada de uns belos óculos 3D), cujo single de avanço Dead Sound recebeu excelentes críticas.
Finalmente ao vivo em Portugal, oportunidade de ouvir That Great Love Sound ou Love In a Trashcan pela Seductress Of Bums Sharin Foo e pelo misterioso Little Animal Sune Rose Wagner!


DATA: 6ª-feira, 22
LOCAL: Cine-Teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira
EM PALCO: Nina Nastasia + Terry Lee Hale + Sean Riley And The Slowriders
O Festival Para Gente Sentada regressa em 2008 com novas datas e novos nomes. As duas noites de concertos no Cine-Teatro António Lamoso abrem numa sexta-feira ao som dos estreantes Sean Riley And The Slowriders e os seus blues embrulhados em folk. Farewell é o disco que apresenta esta banda de Coimbra, um conjunto de canções que bem poderiam ter resultado de uma viagem através do continente americano, a inspiração do seguinte em palco - Terry Lee Hale.
Já com uma extensa carreira como músico, Terry Lee Hale alimentou o sonho de uma carreira musical e a sua filha de todas as formas que conseguiu. O esforço, dir-se-ia, não foi em vão - uma mudança de armas e bagagens para a Europa traz-lhe o seu primeiro álbum. Seria o primeiro de muitos de uma carreira que em 2007 viu novo registo, o magnífico Shotgun Pillowcase, um álbum de histórias da vida, do caminho árduo que é necessário percorrer para se chegar a um porto seguro. Folk, rock e blues a aquecerem a sala para o grande nome da noite - Nina Nastasia!
Numa noite dominada pelo folk, uma das vozes mais simples e delicadas do género. Conhecida pelas suas actuações intimistas, encantatórias e melancólicas, rodeada de canções sobre o amor, a perda, a fantasia e os dramas humanos, Nina Nastasia é tão genial ao vivo como em disco. Exultada por John Peel, comparada a Joni Mitchell, a nova-iorquina tem, ao fim de dez anos de carreira, um firme culto em seu torno. Em Santa Maria da Feira, a fechar a primeira noite do Festival Para Gente Sentada, haverá por certo tempo para apresentar You Follow Me, o álbum que em 2007 a reuniu com Jim White. Um final a aguçar o apetite para a noite que se segue...


DATA: Sábado, 23
LOCAL: Cine-Teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira
EM PALCO: Richard Hawley + Joe Henry + Norberto Lobo
A segunda noite do Festival Para Gente Sentada vira-se para um elenco mais eclético. A noite abre com mais um projecto português, uma descoberta de 2007. Mudar De Bina apresenta Norberto Lobo, músico lisboeta que se expressa quase exclusivamente pela guitarra acústica. A melhor forma de criar um ambiente de intimidade e melancolia para acolher mais uma estreia.
Músico e produtor, o prolífico Joe Henry estreia-se em Portugal apresentando Civillians, o seu último disco. Com uma carreira que remonta à década de 80, iniciada nos territórios da country, passando depois pelo trip-hop até chegar ao jazz, Joe Henry tem-se sempre rodeado de grandes nomes, tendo colaborado com Marc Ribot, Brian Blade, Brad Mehldau e até Ornete Coleman. A curiosa carreira de um músico que encontrou a sua sonoridade própria, em palco quase a fechar a noite.
Para encerrar a noite e o festival, o resultado de uma infância a ouvir Frank Sinatra, Roy Orbison, Elvis Presley e Johnny Cash. Outrora membro dos Longpigs e, mais tarde, guitarrista de palco dos Pulp, Richard Hawley demorou a revelar-se a solo, algo que só aconteceu com o "empurrão" do amigo Jarvis Cocker. Daí para cá, uma sucessão de álbuns em torno da sua Sheffield natal, construídos com melodias suaves, ora angustiadas ora esperançosas, valeu-lhe o respeito da crítica e a aclamação dos fãs, entre muitas nomeações para prémios. Em destaque nesta noite, certamente, o disco de 2007 Lady's Bridge, considerado por muitas listas um dos melhores do ano que findou.
Uma noite para sentar, ouvir e sentir com nostalgia e sem pretensiosismo, no Festival Para Gente Sentada!

DATA: Sábado, 23
LOCAL: Aula Magna, Lisboa
EM PALCO: Spoon
Em Agosto passaram pelo Festival de Paredes de Coura, agora regressam em nome próprio. Os Spoon de Britt Daniel e Jim Eno fazem a viagem desde Austin, no Texas, para encher uma das mais míticas salas portuguesas com o seu pop-rock alternativo.
Com eles trazem o muito aclamado novo álbum de 2007 Ga Ga Ga Ga Ga, que já teve direito a rodagem aquando da última passagem pelo nosso país, mas também quinze anos de produção e carreira que certamente não falharão neste concerto em nome próprio.
A comprovar a extraordinária capacidade de Britt Daniel para escrever canções envoltas em soul e tons minimais de piano e guitarra, e a intimidade das actuações dos Spoon ao vivo, na Aula Magna em Lisboa.


DATA: Sábado, 23
LOCAL: Teatro de Vila Real, Vila Real
EM PALCO: Maia Hirasawa
Num palco que menos vezes surge em destaque estará uma voz que nos últimos tempos tem aparecido mais destacada. Maia Hirasawa ganhou notoriedade como membro dos coros da sueca Hello Saferide, mas cedo se percebeu que a sua voz se iria destacar a solo.
Nascida de uma ligação nipo-sueca no início dos anos 80, a menina dos caracóis tem-se movimentado pelos meios musicais suecos, nomeadamente nos mais ligados à pop independente, entre Gotemburgo e Sollentuna. Foi em 2007, com o seu primeiro single a solo And I Found This Boy, e com o excelente acolhimento pelo público sueco, que Maia Hirasawa se lançou a solo. O mesmo ano viu o lançamento de Though, I'm Just Me, o álbum de estreia que traz esta voz pela primeira vez ao nosso país.
A Suécia aqui tão perto, a propor uma viagem até ao norte do país, para mais uma estreia a não perder!


DATA: 6ª-feira, 29
LOCAL: Santiago Alquimista
EM PALCO: Lou Rhodes
Quem, nos finais do século XX, escutava os Lamb, sabia que o talento era mais que muito naquele duo. Alguns anos passados sobre a ruptura da banda, surgem agora os projectos a solo de Andy Barlow e de Lou Rhodes. Esta última regressa em Fevereiro a Portugal para dois concertos (o segundo acontece no primeiro dia de Março) onde os seus dois álbuns a solo, Beloved One e Bloom estarão em destaque.
O trabalho a solo deixa para trás o trip-hop dos Lamb, optando por uma sonoridade mais orgânica e ligada às raízes, numa vertente mais folk e intimista. Lou Rhodes deixou a citadina Londres e mudou-se para o campo inglês, fazendo agora o percurso até ao Santiago Alquimista, para inundar as paredes do espaço lisboeta com a sua extraordinária voz e a beleza e simplicidade das suas composições. Um final angelical para o mês de Fevereiro...

31.1.08

31.01.2008

2ª hora:

01. Au - Sum [Au, 2007]
02. The Books - Motherless Bastard [Thought For Food, 2002]
03. Ola Podrida - Atmosphere (cover of Joy Division) ["The Signal" OST, 2008]
04. Chris Bathgate - A flash of light followed by [A Cork Tale Wake, 2007/08]
05. Mia Doi Todd - Old World New World [Gea, 2008]
06. Magic Arm - People Need Order [Outdoor Games EP, 2007]
07. Stephen Malkmus & The Jicks - Out of Reaches [Real Emotional Trash, 2008]
08. Stephen Malkmus & The Jicks - We can't help you [Real Emotional Trash, 2008]
09. Malcolm Middleton - Total Belief [Sleight of Heart, 2008]
10. El Perro Del Mar - You Can't Steal a Gift [From The Valley To The Stars, 2008]
11. Destroyer - My Favorite Year [Trouble in Dream, 2008]
12. The Magnetic Fields - Too Drunk To Dream [Distortion, 2008]
13. Dirty Projectors - No more [Rise Above, 2007]
14. Suburban Kids With Biblical Names – Loop duplicate my heart [#3, 2006]

Carlo Patrão

30.1.08

30.01.08

Carla Santos agora às terças-feiras com duas horas completas de pop para "circunstânciar"!

1º hora

The Hives- You got it...all wrong
Klaxons- Atlantis the interzone
Reverend and the makers- Open your windows
Architecture in heksinki- the state of things
Apples in stereo- Same old drag
Cinematics- Race to the city
Faris Nouralla- Things we really see
Haywards Williams- You were right
Ladybug Transistor- The Swimmer
Band of Horses- Our swords
Maccabees- X-ray
Beirut- Elephant gun
Cloeday- with you with me
Joanna Newsom- Only skin

2º hora
Joanna Nwesom- Emily
Hafdis Huld- Tomoko
Mark Eitzel- Auctioneer's song
Robert Wyatt- Just as you are
Sérgio Godinho- É tão bom
Marie Kiss la Joue- Valentin
Tom Jobim- Ela é carioca
Morrissey- First of the gang to die

30 de Janeiro

1ª Parte

  1. Stowaways - Amputated Leg
  2. JP Simões - Só mais um Samba
  3. Supergrass - Moving
  4. Lightspeed Champion - Galaxy of the Lost
  5. Jack Penate - Torn on the Platform
  6. Blur - Girls and Boys
  7. Oasis - Go Let It Out
  8. Maxïmo Park - Girls Who Play Guitars

2ª Parte

  1. TV on the Radio - Wolf Like Me
  2. The Cure - Killing an Arab
  3. Portugal. The Man. - Church Mouth
  4. Klaxons - Isle of Her
  5. Hadouken! - Liquid Lives
  6. Kaiser Chiefs - Everything is Average Nowadays
  7. Gomez - Machismo
  8. Gorillaz - People
  9. Stephen Malkmus & The Jicks - Real Emotion Trash
  10. Bloc Party - The Prayer
  11. Clap Your Hands Say Yeah - Satan Said Dance
  12. Franz Ferdinand - All My Friends
  13. Os Ekos - Corri

28.1.08

Entre o sussurro e o falsete (Ian James + Perry Blake - Auditório de Espinho - 25.01.2008)

A noite de sexta reserva sempre algo de especial! Na última de Janeiro, orientou-se a bússola para Norte e traçou-se o destino - a cerca de cem quilómetros de Coimbra esperavam uma sala quase nova e um amigo de longa data. Os motivos que atraíram cerca de trezentas pessoas ao Auditório de Espinho terão sido os mais variados; o elemento comum entre todos, a voz de Perry Blake, a apresentar Canyon Songs, o seu sexto álbum de originais (oitavo se contarmos com a banda sonora de Presque Rien e o registo ao vivo Broken Statues).

Perry Blake

Pouco depois das 21h30m, as cadeiras preenchiam-se já com a anunciada lotação esgotada e subia a palco uma figura quase incógnita de guitarra em punho. Ian James (que, por distracção de uma qualquer editora, ainda não tem trabalho editado) encarregou-se de instalar o ambiente intimista na noite numa sala que mostrava a excelente acústica de um auditório pensado para o espectador. Um encontro entre Nick Drake e Dave Matthews, à beira de uma central nuclear: uma imagem que surgiu nas cabeças de muitos ao longo dos vinte minutos com que este singer-songwriter preencheu o palco. Músicas em torno de namoradas e cenários industriais, ternas mas alertes: o próprio avisou – “Keep off the beach” -, um conselho sábio nas águas que banham as praias da juventude de Ian James. Os vinte minutos só não souberam a pouco porque muitos havia que impacientemente esperavam a outra parte do espectáculo.

Três cadeiras e uma mesa onde se vislumbrava um computador faziam adivinhar uma formação reduzida em palco. Depois de algumas falsas entradas de Glenn Garrett para os últimos acertos, Ian James e Perry Blake surgiram de entre a escuridão de fundo do palco e tomaram as restantes duas cadeiras. O primeiro momento de aplausos da noite acolheu o irlandês que começou o desfile de canções por Forgiveness do penúltimo álbum The Crying Room. Por trás dos três músicos projectavam-se imagens e excertos da letra da música – uma sucessão de fotografias maioritariamente a preto de branco que acompanha este novo espectáculo de Perry Blake, numa versão multimédia da carreira do autor. Numa mistura perfeita entre os dois últimos registos, os cinco primeiros temas do concerto trouxeram um magnífico Freedom e um intocável These Young Dudes. O papel do computador sobre a mesa era revelado – em vez de bilhetes a cem euros e uma orquestra sinfónica a acompanhá-lo, Perry Blake usou um sucedâneo electrónico para bilhetes a dez euros. No entanto, a magia multimédia de projecção não parecia querer ajudar – os problemas que surgiram com as compatibilidades tecnológicas levaram a um intervalo improvisado para tentar resolver a questão, valendo algumas alcunhas ao computador (que parecia “precisar de uma Super Bock” segundo Perry Blake); na impossibilidade de recuperar a projecção em condições, a opção pendeu para o prosseguimento do concerto sem imagens - perdeu-se na vertente visual, ganhou-se na proximidade, que muitas vezes se traduziu em escapes humorísticos partilhados com a audiência. Muito mudou em Perry Blake desde os tempos do seu primeiro álbum homónimo, o casaco de veludo continua lá mas sobrepõe-se agora a uns jeans de bainha dobrada vestidos por uma personagem bastante mais comunicativa, com o seu constante abanar de perna. O regresso de intervalo fez-se com The Ballad of Billy Bob, enquanto alguns elementos da plateia retomavam ainda os lugares. Conquistados desde início, os espectadores puderam constatar a mudança que também se sente na sonoridade – praticamente todos os temas de Canyon Songs, um álbum mais optimista, passaram pelo concerto, sendo frequente a mistura com os temas de The Crying Room. Apesar da boa adesão a estas canções mais recentes, foi para Stop Breathing a primeira grande ovação da noite. Os primeiros álbuns dos quase dez anos de carreira não ficaram esquecidos, e Perry Blake fez questão de passar por praticamente todos – incluindo uma versão acústica da tão comercialmente conhecida Ordinary Day. Pelo meio, a tradicional apresentação, com uma curiosa comparação do irlandês a Damien Rice. Após os desaires tecnológicos do início da noite, as versões acústicas começaram a ganhar terreno no alinhamento e foi com duas guitarras ao desafio que a carga dramática de Something Still Reminds You encerrou o concerto. Ou assim se pensava…

A pedido do público, os três músicos regressaram a palco e Perry Blake “arranhou” um pouco mais de português, admitindo ser uma língua complicada. Depois, um dos momentos mais intensos da noite: Sometimes silenciou o auditório – “sometimes love is not enough” ouvia-se e parecia que nem todo o repertório de Blake chegaria à ávida plateia de Espinho. Aos muitos pedidos da assistência respondeu com uma promessa de deixar um dia destes o alinhamento à escolha no seu site. E anunciou uma canção antiga a seguir-se – voltou-se a 1998 e soaram guitarras cortadas em mais uma versão acústica, desta vez para The Hunchback of San Francisco. Um agradecimento final e mais uma saída de palco que, poucos minutos e muitos aplausos depois, se mostrou não ser a última.

Um segundo encore não previsto trouxe o primeiro desabafo sobre a proibição de fumar no auditório e mais uma música antiga – Pretty Love Songs fechou uma noite de percalços mas, acima de tudo, de entendimento e intimidade.

Porque as canções de amor são assim – podem não ser perfeitas, mas são o que nos mantém vivos!

25.1.08

25.1.2008

1ªhora:

1.Eluvium - Indoor Swimming at the Space Station
2.Grouper - Heart Current
3.Beach House - Gila
4.Dead Texan - La Ballade d'Alain Georgee
5.Norberto Lobo - Fonte Santa
6.James Blackshaw - Running to the Ghost
7.Jessica Bailiff - We Were Once
8.Colleen - Sun Agains my Eyes
9.Grizzly Bear - Deep Sea Diver
10.Xiu Xiu - I Do What I Want, When I Want
11.Xiu Xiu & Michael Gira - Under Pressure
12.Animal Collective - Derek

2ª hora

13.Seabear - Teenage Kicks
14.Ruby Suns - Remember
15.Skallander - Flesh Born Constellation
16.Ola Podrida - Photo Booth
17.Mountain Goats - Sep. 15th, 1983
18.Black Mountain - Stay Free
19.Idaho - Run but You Ran
20.Caribou - Desirée
21.Little Wings - Free Bird
22.Rivulets - Cutter
23.Le Loup - Le Loup (Fear Not)
24.CocoRosie - Brazilian Sun
25.Dan Deacon - Woody Woodpecker
26.Of Montreal - Jimmy

José Afonso Biscaia

24.1.08

24.01.2008

2ª hora:

01. Holy Fuck - Lovely Allen
02. Belle & Sebastian - Electronic Renaissance
03. Stereolab - Bop Scotch
04. Beach House - All the Years
05. Magic Arm - You should know
06. Sufjan Stevens - Ring Them Bells (cover of Bob Dylan)
07. Wildbirds & Peacedrums - We Hold Each Other Song
08. Marissa Nadler - Bird on your grave
09. Larkin Grimm - The Last Tree
10. Louis Ledford - I Never Said
11. Faris Nourallah - Anticipation Anxiety
12. Ralfe Band - Frascati Way Southbound
13. Stephen Malkmus & The Jicks - Baltimore

carlo patrão

21.1.08

Depois de ter adormecido na 1ra hora...

2da hora:

1. The Album Leaf - Asleep
2. Dosh - Everybody Cheer up song
3. Field Music - A house is not a home
4. Of Montreal - I was never young
5. Cat Power - Love & comunication
6. Jesse Sykes & the Sweet Hereafter - Spectral being
7. Melanie - Carolina in my mind
8. James Taylor - Up on the roof
9. Nick Drake - Time as told me
10. Old Jerusalem - Summer of some odd year
11. Old Jerusalem - Ruler of my heart
12. Sondre Lerche - Stupid memory
13. Emiliana Torrini - Life Saver
14. The Twilight Sad - Last year's rain didn't fall quite so hard
15. Beach house - All the years

A noite em que os extra-terrestres desceram ao Porto (Coldfinger + The Go! Team - Casa da Música, Porto - 19.01.2008)

The Go! Team
Bruno Raposo

Mais fotografias aqui.


Dia 19 de Janeiro de 2008, viagem Coimbra – Porto com destino a mais uma noite de "Clubbing", na Casa da Música, evento em tons cor-de-laranja, promovido por uma operadora de telemóveis.

O objectivo: assistir ao 3º concerto dos ingleses The Go! Team em Portugal, eles que tinham estado na noite anterior no Lux, em Lisboa, e no ano passado no Oeiras Alive.

Antes de subirem ao palco os rapazes e raparigas de Brighton, passaram pela Sala 2 da Casa da Música, toda forradinha a painéis vermelhos que proporcionam uma óptima acústica, os lisboetas Coldfinger de Margarida Pinto e Miguel Cardona que proporcionaram um concerto algo morno, ao som do seu último LP ‘Supafacial’, editado em 2007, após um interregno de 5 anos.

Mas quem lá estava, estava lá para outra coisa e não teve grande dificuldade em responder à pergunta/grito de abertura da MC Ninja: “Who came here to partyyyyy?!”
Se a Casa da Música é muitas vezes comparada a um OVNI, então os The Go! Team foram os seus dignos ocupantes, disparando feixes de energia sonora altamente dançável para os terráqueos que estavam à sua frente.

É difícil descrever esta banda, até porque os seus elementos saltitavam freneticamente entre todos os instrumentos, que incluíam duas baterias, (uma não chegava, pois claro!...). Mas é também impossível não nos rendermos praticamente de imediato a uma vocalista que parece que veio directa do Bronx onde estava a saltar à corda com as amigas, duas meninas com a tranquilidade tipicamente oriental (uma mais voltada para a guitarra e outra para a bateria), um outro baterista que também debitava feed-back na guitarra e se agarrava a uma gaita de beiços, um teclista com ar nórdico e com vontade de experimentar, e, finalmente, um baixista com o aspecto de quem saiu de uma série americana do final dos anos 70, ele que ao longo de todo o concerto se manteve (quase) fiel às suas 4 cordas, tendo-as apenas deixado no ‘encore’ para se dedicar de alma e coração a um xilofone.

O alinhamento (pedaço de papel muito cobiçado no final do concerto) intercalou temas dos seus dois discos, ‘Thunder, Lightning, Strike!’, de 2004 e ‘Proof Of Youth’, do ano passado, com destaque para ‘Grip Like a Vice’ e ‘Ladyflash’. Apenas ficou a faltar a muito requisitada versão de ‘Bull In The Heather’, dos Sonic Youth, que Ian Parton e Kaori Tsuchida nos negaram com um sorriso.

Os The Go! Team são, de facto, uma equipa que não sabe para onde vai... E o melhor, é que nós também não.

(Ainda uma dica, daquelas de reportagem turística para uma revista da especialidade: Não deixar escapar a oportunidade de jantar no restaurante/tasca ‘Reis & Soares’, mesmo na Rotunda da Boavista. Um local muito peculiar…)


Ricardo Jerónimo

17.1.08

17.01.2008

Estava no sendo, mas não foi, seria o que estava pensado ser se não se tivesse dado o caso de não ter sido, sendo assim ficou o que seria - um alinhamento conjectural...

2ª hora:

01. Bonnie 'Prince' Billy - I Came Here to Hear the Music
02. Jeffrey Lewis - End Result
03. The Moldy Peaches - Anyone else but you
04. BARR - Half of two times two (newer version)
05. Stephen Malkmus & The Jicks - Gardenia
06. The Magnetic Fields - Three-Way
07. Au - Boute
08. Badun - nr. 44
09. Valgeir Sigurðsson (feat. Bonnie 'Prince' Billy) - Kin
10. Bonnie 'Prince' Billy - I've seen it all
11. Thom Yorke (Four Tet remix) - Atoms for Peace
12. Throw Me The Statue - Lolita
13. The Do - Playground Hustle
14. Seabear - Seashell
15. Robert Wyatt - A Beutiful Peace
16. Bonnie 'Prince' Billy - I'm loving the street
17. Dosh - Henderson Four

carlo patrão

14.1.08

Revisitando 2007

1. Smoke city - Underwater love
2. Efterklang - Mirador
3. Jonquil - Pencil, paper
4. Radiohead - All I need
5. Radiohead - Weird fishes
6. Iron & Wine - Innocent bones
7. Jens Lekman - Your arms around me
8. Robert Wyatt - Stay tuned
9. Paul Curreri - The ugly angel
10. Old Jerusalem - Grasshoppers
11. Blond Redhead - Top ranking
12. Feist - I feel it all
13. Andrew Bird - Fiery Crash
14. French Quarter - Bold with fire
15. Devendra Banhart - Seaside
16. Julie Doiron - I left town
17. Julie Doiron - I woke myself up
18. Malcolm Middleton - Fuck it, I love you
19. Super Furry Animals - show your hand
20. Panda Bear - Ponytail
21. Panda Bear - Comfy in nautica
22. Elliott Smith - Riot coming
23. Sunset Rubdown - child-heart losers
24. Avey Tare & Kria Brekkran - Was Onaip

11.1.08

11.01.2008 - Um arrepio pop

Quando a manhã se torna tarde é certo e sabido que há pop no ar! Nesta sexta-feira, quando já apetece o fim-de-semana e o sono é mais que muito, a chuva, o frio e o cinzento do céu embalaram-se em duas horas da música de que são feitas as nuvens...

01. Pelle Carlberg - I Love You, You Imbecile [In A Nutshell, 2007]
02. The Divine Comedy - Arthur C. Clarke's Mysterious World [Victory For The Comic Muse, 2006]
03. Richard Hawley - Tonight The Streets Are Ours [Lady's Bridge, 2007]
04. Perry Blake - Morning Song [California, 2002]
05. Dean Wareham and Britta Phillips - Ginger Snaps [L'avventura, 2003]
06. Edwyn Collins - It's Right In Front Of You [Gorgeous George, 1994]
07. Beach House - Home Again [Devotion, 2008]
08. Cat Power - Sea Of Love [Moon Pix, 1998]
09. Magnet - The Gospel Song [The Simple Life, 2007]
10. Franz Ferdinand - Eleanor Put Your Boots On [You Could Have It So Much Better, 2005]
11. The Thrills - Love Is A Mistery [2007]
12. Josh Rouse - Streetlights [Nashville, 2005]
13. BC Camplight - Soy Tonto! [Blink Of A Nihilist, 2007]
14. Isobel Campbell - Johnny Come Home [Amorino, 2003]

Começa a tarde - o sono aperta, anuncia-se uma descida da temperatura mínima para o fim-de-semana e do número de batidas por minuto para a segunda hora desta emissão de Pop & Circunstância.

15. Belle and Sebastian - The Fox In The Snow [If You're Feeling Sinister, 1996]
16. Ola Podrida - Run Off The Road [Ola Podrida, 2007]
17. Papercuts - John Brown [Can't Go Back, 2007]
18. Beach House - D.A.R.L.I.N.G. [Devotion, 2008]
19. The Finches - Two Ghosts [Human Like A House, 2007]
20. Naomi & Goro - Goodbye [Home (For I+Stylers), 2006]
21. Badly Drawn Boy - The Time Of Times [Born In The U.K., 2006]
22. The Boy Least Likely To - Hugging My Grudge [The Best Party Ever, 2005]
23. The Winter Club - Mix Tapes That Lucy Made
24. Beach House - Wedding Bell [Devotion, 2008]
25. The Softlightes - If The World Had Cookies [Say No To Being Cool, Say Yes To Being Happy, 2007]
26. The Elected - Would You Come With Me [Sun Sun Sun, 2006]
27. The Magic Numbers - I See You, You See Me [The Magic Numbers, 2005]
28. Beach House - You Came To Me [Devotion, 2008]

E agora, com licença, vou de fim-de-semana!

10.1.08

10.01.2008

2ª hora:

01. Valgeir Sigurðsson (feat. Bonnie “Prince” Billy) - Evolution of Waters
02. Letters Letters - Between the Seams
03. Sandro Perri - The Mime
04. Silje Nes - Dizzy Street
05. Angil and the Hiddentracks - Kids
06. Cat Power - Aretha, Sing One For Me
07. Scary Mansion - Go to Hell
08. The Berg Sans Nipple- Of the Sung
09. School of Language - Rockist Part 1
10. Beach House - Gilda
11. Beach House - Astronaut
12. F.S. Blumm - Haus & Halm
13. Andrew Bird - Heretics (early version)
14. Jonquil -Pencil, paper

carlo patrão

4.1.08

4.1.2008

Corações ao alto, com Pop e Circunstância entrámos em 2008!

1ª hora

1.No Kids - Great Escape
2.Radiohead - Videotape
3.Seabear - Piano Hands
4.Citay - First Fantasy
5.Mountain Goats - Heretic Pride
6.Manishevitz - Beretta
7.Sunset Rubdown - For the Pier (and Dead Shimmering)
8.Jonquil - Lily
9.Final Fantasy - The CN Tower Belongs to the Dead
10.Letters Letters - Between the Seams
11.Belong - I Never Lose. Really, Really.

2ª hora

12.The Do - On my Shoulders
13.Life Without Buildings - Let's Get Out
14.Young Marble Giants - Music for Evenings
15.Spoon - Don't Make me a Target
16.The Besnard Lakes - Casino Nanaimo
17.Radical Face - Glory
18.Microphones - Between Your Ear and the Other Ear
19.Six Organs of Admittance - Black Wall
20.Bon Iver - Re: Stacks
21.Peter and the Wolf - Safe Travels
22.Devendra Banhart - Cripple Crow
23.David Karsten Daniels - American Pastime
24.The Shins - Turn on Me

José Afonso Biscaia

1.1.08

No palco em Janeiro

2008 ainda mal começou e já se começam a colocar os microfones, os amplificadores e toda a parafernália pop em palco! Para vos facilitar a tarefa, o Pop & Circunstância leva-vos até às grades dos melhores concertos e aponta as datas a rodear a marcador encarnado nas vossas agendas ainda a cheirar a novo. Então, toca a abrir o mês de Janeiro e procurar...

DATA: 3ª-feira, 8
LOCAL: Coliseu dos Recreios, Lisboa (ALTERAÇÃO: o concerto realizar-se-á no Lux, Lisboa)
EM PALCO: Babyshambles
Depois de uma passagem um pouco atabalhoada pelo Festival Heineken Paredes de Coura em Agosto de 2007, Pete Doherty e amigos regressam a Portugal, para um concerto em nome próprio!
Após o final dos Libertines, os Babyshambles aventuraram-se em 2005 com um fulgurante Down In Albion. Alguma polémica gerada pelos controversos títulos e letras da banda trouxeram a atenção mediática e uma série de concertos para a banda que logo gerou um vasto grupo de fãs (da música e das polémicas em torno de Pete Doherty).
Alguns meses e desintoxicações depois, os Babyshambles retomaram a actividade e lançaram em 2007 o seu segundo álbum Shotter's Nation, bastante bem recebido pela crítica britânica.
É este o pretexto para mais uma visita dos britânicos a Portugal, logo na segunda semana do ano!


DATA: 6ª-feira, 18 & Sábado, 19
LOCAL: Lux, Lisboa & Casa da Música, Porto
EM PALCO: The Go! Team
Nas frias e rochosas praias de Brighton não é fácil apanhar escaldões; ao invés, este ambiente parece ser uma fonte de inspiração quase inesgotável, a julgar pela quantidade de bons projectos musicais vindos desta cidade britânica. Corria o ano de 2003 quando mais um desses projectos viu a luz do dia. A culpa foi de Ian Parton, um músico que, até então, se dedicava a compor bandas sonoras para documentários. Tudo mudou em 2004, com a edição de Thunder, Lighting, Strike, álbum de estreia dos The Go! Team.
No Verão passado, a propósito do novo registo Proof of Youth, onde se misturam as sirenes, as guitarras, as baterias e a voz da rapper Ninja, com mais força do que nunca, os The Go! Team passaram pelo festival Oeiras Alive! 07 com uma actuação que fez correr rios de tinta pela imprensa portuguesa.
Já com a quadra natalícia encerrada, a prenda atrasada surge com duas novas oportunidades de testemunhar ao vivo a jovialidade destes britânicos e o seu som cheio de referências e influências distintas, mas com uma ligação intrínseca à cultura pop urbana.


DATA: 6ª-feira, 25
LOCAL: Auditório de Espinho
EM PALCO: Perry Blake
Janeiro ameaça ser o mês dos regressos! Mais uma acontece a Norte: da Irlanda para Portugal chega Perry Blake, o crooner responsável por temas como 1971, Still Life ou o comercialmente difundido Ordinary Day.
Ao fim de quase dez anos de carreira e oito discos depois, o cantautor irlandês sobe ao palco do Auditório de Espinho para apresentar o seu mais recente registo, Canyon Songs editado em 2007 (e com direito a edição especial em Portugal a cargo da Famalicense Transporte de Animais Vivos).
Os restantes discos não ficarão certamente esquecidos no alinhamento deste concerto, e algures entre os novos sons mais country de Canyon Songs e os mais melancólicos de Perry Blake, prevê-se uma noite de percurso musical através da última década, quase no final do primeiro mês de 2008!