O ano avança e começam os festejos habituais. Com um Carnaval a chegar inusitadamente cedo, o mês de Fevereiro traz um recheio para todos os gostos e o primeiro festival do ano. Afinal, só daqui a quatro anos voltamos a viver 29 dias em Fevereiro: peguem nas vossas agendas e aproveitem estes...
DATA: 2ª-feira, 4
LOCAL: Aula Magna, Lisboa
EM PALCO: The CharlatansPara começar o período de abstinência quaresmal, saciamos finalmente o apetite com mais uma estreia em solo nacional! De Birmingham viajam os
The Charlatans, a banda de Tim Burgess, com novo álbum na bagagem.
You Cross My Path, a editar no início de Março, é já o décimo álbum de estúdio desta que é uma das bandas mais importantes do pop-rock alternativo das últimas duas décadas. Seguindo uma filosofia que começa a dar que falar,
You Cross My Path será disponibilizado para download gratuito no site da rádio britânica XFM já em Março, chegando dois meses depois em formato físico às lojas.
Oportunidade única para os fãs portugueses ouvirem em primeira mão os novos temas, num concerto único onde não faltarão também os hinos de quase quinze anos de carreira.
DATA: Sábado, 16
LOCAL: Teatro Académico de Gil Vicente, Coimbra
EM PALCO: Magic Arm +
Ola PodridaPassado a ternura (ou o tormento) do dia dos namorados, o TAGV propõe uma noite especial, com mais duas estreias absolutas em Portugal. Sob a designação
Indie Folk TAGV, dois projectos unidos pela independência e pela liberdade criativa da sua música sobem a palco, sob o signo da música pop, seja em vertente folk, seja de cariz electrónico.
O primeiro em palco vem de Manchester e assina as suas composições sob o pseudónimo
Magic Arm. No passado ano chamou a atenção de muita gente com um EP intitulado
Outdoor Games, um pequeno catálogo de construções pop electrónicas carregadas da herança sonora de Manchester. Entre máquinas de escrever, relógios e outros artifícios menos usuais, surgem teclados e soa a voz de
Marc Rigelsford. Na altura em que se encontra a preparar novo álbum, faz uma pausa de estúdio e vem até Coimbra para encantar as almas
indie.
Do outro lado do Atlântico vem um contador de histórias. Com todo o imaginário da texana cidade de Austin para revelar,
David Wingo apresenta as personagens que circulam pelo registo de estreia,
Ola Podrida, pela primeira vez em Portugal. Frequentemente comparado aos contemporâneos ícones do folk norte-americano Sufjan Stevens e Iron & Wine, David Wingo e o seu projecto
Ola Podrida actualizam a tradição folk norte-americana, conferindo-lhe um tom acústico e despojado. Um verdadeiro
storyteller a ocupar o seu lugar numa noite especial, acompanhado apenas do baterista
Matthew Frank, numa versão reduzida dos
Ola Podrida.
Porque no palco não existem fugas, subsiste a autenticidade. No palco existe o erro.
Indie Songs don't lie...DATA: Sábado, 16
LOCAL: Casa da Música, Porto
EM PALCO: MúmNem só de estreias se faz Fevereiro, alguns regressos também são bastante ansiados! Depois de uma passagem em 2003 pelo Festival Sudoeste, a banda islandesa
Múm volta a solo luso para nova actuação. Regressados em 2007 com o quarto registo
Go Go Smear The Poison Ivy e com
Gunnar Örn Tynes e
Örvar Þóreyjarson Smárason na formação central, os
Múm continuam a mostrar a sua electrónica de tons delicados, usando os mais variados instrumentos. Já sem as gémeas
Gyða e
Kristín, mas com uma série de excelentes colaboradores nas novas produções, os
Múm abrem a noite na Sala 2 da Casa da Música.
No mesmo espaço, logo a seguir, rock'n'roll destilado pelos norte-americanos
Pere Ubu, numa noite de Clubbing a contar também com música por mais cantos, recantos, salas e corredores do edifício da Rotunda da Boavista. Uma noite para pôr a Casa da Música a dançar...
DATA: 3ª-feira, 19 & 4ª-feira, 20
LOCAL: Theatro Circo, Braga & Santiago Alquimista, Lisboa
EM PALCO: The RaveonettesEla tem ascendência dinamarquesa e chinesa. Ele tem nome de compositor clássico e prefere os
Smiths a
Morrissey a solo. Ela chama-se
Sharin Foo; ele dá pelo nome de
Sune Rose Wagner. Os dois formaram em 2001 os
The Raveonettes e, quase sete anos depois, visitam pela primeira vez a ponta ocidental da Europa (depois de uma desmarcada actuação em 2006).
Os temas repletos de coros extremamente harmónicos e as letras corrosivas e ligeiramente ameaçadoras e obscuras fizeram dos
The Raveonettes um caso de sucesso, desde o primeiro álbum
Whip It On passando por
Chain Gang Of Love e
Pretty In Black. No final de 2007 lançaram novo disco, com o curioso título
Lust, Lust, Lust (atenção à versão em vinil, acompanhada de uns belos óculos 3D), cujo single de avanço
Dead Sound recebeu excelentes críticas.
Finalmente ao vivo em Portugal, oportunidade de ouvir
That Great Love Sound ou
Love In a Trashcan pela
Seductress Of Bums Sharin Foo e pelo misterioso
Little Animal Sune Rose Wagner!
DATA: 6ª-feira, 22
LOCAL: Cine-Teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira
EM PALCO: Nina Nastasia +
Terry Lee Hale +
Sean Riley And The SlowridersO Festival Para Gente Sentada regressa em 2008 com novas datas e novos nomes. As duas noites de concertos no Cine-Teatro António Lamoso abrem numa sexta-feira ao som dos estreantes
Sean Riley And The Slowriders e os seus blues embrulhados em folk.
Farewell é o disco que apresenta esta banda de Coimbra, um conjunto de canções que bem poderiam ter resultado de uma viagem através do continente americano, a inspiração do seguinte em palco -
Terry Lee Hale.
Já com uma extensa carreira como músico,
Terry Lee Hale alimentou o sonho de uma carreira musical e a sua filha de todas as formas que conseguiu. O esforço, dir-se-ia, não foi em vão - uma mudança de armas e bagagens para a Europa traz-lhe o seu primeiro álbum. Seria o primeiro de muitos de uma carreira que em 2007 viu novo registo, o magnífico
Shotgun Pillowcase, um álbum de histórias da vida, do caminho árduo que é necessário percorrer para se chegar a um porto seguro. Folk, rock e blues a aquecerem a sala para o grande nome da noite -
Nina Nastasia!
Numa noite dominada pelo folk, uma das vozes mais simples e delicadas do género. Conhecida pelas suas actuações intimistas, encantatórias e melancólicas, rodeada de canções sobre o amor, a perda, a fantasia e os dramas humanos,
Nina Nastasia é tão genial ao vivo como em disco. Exultada por
John Peel, comparada a
Joni Mitchell, a nova-iorquina tem, ao fim de dez anos de carreira, um firme culto em seu torno. Em Santa Maria da Feira, a fechar a primeira noite do Festival Para Gente Sentada, haverá por certo tempo para apresentar
You Follow Me, o álbum que em 2007 a reuniu com
Jim White. Um final a aguçar o apetite para a noite que se segue...
DATA: Sábado, 23
LOCAL: Cine-Teatro António Lamoso, Santa Maria da Feira
EM PALCO: Richard Hawley +
Joe Henry +
Norberto LoboA segunda noite do Festival Para Gente Sentada vira-se para um elenco mais eclético. A noite abre com mais um projecto português, uma descoberta de 2007.
Mudar De Bina apresenta
Norberto Lobo, músico lisboeta que se expressa quase exclusivamente pela guitarra acústica. A melhor forma de criar um ambiente de intimidade e melancolia para acolher mais uma estreia.
Músico e produtor, o prolífico
Joe Henry estreia-se em Portugal apresentando
Civillians, o seu último disco. Com uma carreira que remonta à década de 80, iniciada nos territórios da
country, passando depois pelo
trip-hop até chegar ao
jazz,
Joe Henry tem-se sempre rodeado de grandes nomes, tendo colaborado com
Marc Ribot,
Brian Blade,
Brad Mehldau e até
Ornete Coleman. A curiosa carreira de um músico que encontrou a sua sonoridade própria, em palco quase a fechar a noite.
Para encerrar a noite e o festival, o resultado de uma infância a ouvir
Frank Sinatra,
Roy Orbison,
Elvis Presley e
Johnny Cash. Outrora membro dos
Longpigs e, mais tarde, guitarrista de palco dos
Pulp,
Richard Hawley demorou a revelar-se a solo, algo que só aconteceu com o "empurrão" do amigo
Jarvis Cocker. Daí para cá, uma sucessão de álbuns em torno da sua Sheffield natal, construídos com melodias suaves, ora angustiadas ora esperançosas, valeu-lhe o respeito da crítica e a aclamação dos fãs, entre muitas nomeações para prémios. Em destaque nesta noite, certamente, o disco de 2007
Lady's Bridge, considerado por muitas listas um dos melhores do ano que findou.
Uma noite para sentar, ouvir e sentir com nostalgia e sem pretensiosismo, no Festival Para Gente Sentada!
DATA: Sábado, 23
LOCAL: Aula Magna, Lisboa
EM PALCO: SpoonEm Agosto passaram pelo Festival de Paredes de Coura, agora regressam em nome próprio. Os
Spoon de
Britt Daniel e
Jim Eno fazem a viagem desde Austin, no Texas, para encher uma das mais míticas salas portuguesas com o seu
pop-rock alternativo.
Com eles trazem o muito aclamado novo álbum de 2007
Ga Ga Ga Ga Ga, que já teve direito a rodagem aquando da última passagem pelo nosso país, mas também quinze anos de produção e carreira que certamente não falharão neste concerto em nome próprio.
A comprovar a extraordinária capacidade de
Britt Daniel para escrever canções envoltas em soul e tons minimais de piano e guitarra, e a intimidade das actuações dos Spoon ao vivo, na Aula Magna em Lisboa.
DATA: Sábado, 23
LOCAL: Teatro de Vila Real, Vila Real
EM PALCO: Maia HirasawaNum palco que menos vezes surge em destaque estará uma voz que nos últimos tempos tem aparecido mais destacada.
Maia Hirasawa ganhou notoriedade como membro dos coros da sueca
Hello Saferide, mas cedo se percebeu que a sua voz se iria destacar a solo.
Nascida de uma ligação nipo-sueca no início dos anos 80, a menina dos caracóis tem-se movimentado pelos meios musicais suecos, nomeadamente nos mais ligados à pop independente, entre Gotemburgo e Sollentuna. Foi em 2007, com o seu primeiro single a solo
And I Found This Boy, e com o excelente acolhimento pelo público sueco, que
Maia Hirasawa se lançou a solo. O mesmo ano viu o lançamento de
Though, I'm Just Me, o álbum de estreia que traz esta voz pela primeira vez ao nosso país.
A Suécia aqui tão perto, a propor uma viagem até ao norte do país, para mais uma estreia a não perder!
DATA: 6ª-feira, 29
LOCAL: Santiago Alquimista
EM PALCO: Lou RhodesQuem, nos finais do século XX, escutava os
Lamb, sabia que o talento era mais que muito naquele duo. Alguns anos passados sobre a ruptura da banda, surgem agora os projectos a solo de
Andy Barlow e de
Lou Rhodes. Esta última regressa em Fevereiro a Portugal para dois concertos (o segundo acontece no primeiro dia de Março) onde os seus dois álbuns a solo,
Beloved One e
Bloom estarão em destaque.
O trabalho a solo deixa para trás o trip-hop dos Lamb, optando por uma sonoridade mais orgânica e ligada às raízes, numa vertente mais folk e intimista.
Lou Rhodes deixou a citadina Londres e mudou-se para o campo inglês, fazendo agora o percurso até ao Santiago Alquimista, para inundar as paredes do espaço lisboeta com a sua extraordinária voz e a beleza e simplicidade das suas composições. Um final angelical para o mês de Fevereiro...